domingo, 26 de junho de 2011

E por falar em licitações...

 
 
Deu na Tribuna da Internet (aqui)
 
domingo, 26 de junho de 2011 | 05:10

Liberou geral: também o governo federal e a prefeitura do Rio costumam fazer contratos sem licitação com a empreiteira de Fernando Cavendish, o amigo íntimo de Sergio Cabral.

Carlos Newton
Além de envolver o vice-governador Luiz Fernando Pezão, que comanda a Secretaria Estadual de Obras e assinou os contratos sem licitação com a Delta Construções, cujo dono é o empresário Fernando Cavendish, amigo íntimo do governador Sergio Cabral, as denúncias de favorecimentos a essa empreiteira já atingem também o prefeito Eduardo Paes e o governo federal.
Segundo a vereadora Andrea Gouvêa Vieira, a Delta Construções também vem sendo beneficiada através de contratos sem licitação firmados com a Prefeitura do Rio. Os dados mostram que na gestão atual de Eduardo Paes, de janeiro de 2009 a junho de 2011, a empreiteira já conseguiu R$ 36,6 milhões em “contratos emergenciais”, com crescimento de 155% em comparação ao mandato anterior, de Cesar Maia.
O mais interessante é que, ao ser investigada a relação entre Paes e Cavendish, constata-se que realizar obras sem licitação é uma verdadeira especialidade do atual prefeito carioca. O valor das obras sem licitação no Rio de Janeiro já chega a estratosféricos R$ 417 milhões, beneficiando as mais diversas empreiteiras. E a desculpa da prefeitura é exatamente igual à do governo estadual: as obras sem licitação seriam de caráter emergencial por causa das chuvas.
Em meio a esse festival de irregularidades, descobre-se também que a Delta é a empresa privada que mais recebeu recursos do Tesouro no segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com grande número de contratos com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes).
É o que aponta um relatório da própria CGU (Controladoria-geral da União), que colocou a Delta na alça de mira. Em parceria com o Ministério Público e a Polícia Federal, a CGU realizou em agosto do ano passado a operação Mão Dupla, que teve 27 mandados de prisão expedidos, entre eles para dirigentes do Dnit no Ceará e da empreiteira Delta.
De acordo com a CGU, os prejuízos  causados pela Delta ao Dnit foram calculados em contratos que somam R$ 85 milhões: construção de uma ponte na BR-304 e melhorias na BR-116 e na BR-020. As obras, que fazem parte do PAC, ainda estavam em andamento quando a Operação Mão Dupla entrou em ação.
Os especialistas da CGU apontaram indícios de superfaturamento, uso de material em quantidade abaixo do contratado, obras pagas e não executadas e utilização de estrutura do Dnit para realizar os projetos pagos pelo órgão. Tradução simultânea: um verdadeiro festival.
No caso da ponte da BR-304, sobre o rio Jaguaribe, a falta de execução de um serviço estava pondo “em risco a estabilidade da construção”, era só o que faltava.
Realmente, é preciso repetir. Essa tal de empreiteira Delta, que até pouco tempo atrás nnguém conhecia, tornou-se a empresa que mais recebeu recursos do Tesouro nos últimos três anos do governo Lula. No ano passado, estava em segundo lugar, com R$ 381,4 milhões, segundo dados da CGU. Quando ainda faltavam seis meses para acabar o governo Lula, a empresa, que até a década passada era uma pequena construtora, já recebera cerca de R$ 2,4 bilhões de recursos federais. A maior parte de dinheiro veio do Dnit, da área de influência do eterno ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, cuja vaga no Senado vem sendo ocupada por um grande amigo de Lula, o sindicalista João Pedro.
Coincidentemente, crescimento da Delta na gestão Lula se deu principalmente após ela ter sido a maior beneficiada por contratos emergenciais (sem licitação) na Operação Tapa-Buraco pelo Dnit em 2006. Tradução simultânea: a Delta é a maior especialista brasileira em contrato sem licitação, e é justamente por isso que marca presença também nas obras sigilosas da Copa de 2014, na reforma bilionária (vai passar de R$ 1 bilhão) do estádio do Maracanã.

Além de aviões, há uma casa no ‘caminho’ de Cabral - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)


Revista Época


Na política, como em tudo na vida, vigora um princípio indefectível: tudo o que precisa de muita explicação boa coisa não é.
Nos últimos dias, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), viu-se enredado numa série de episódios pendentes de esclarecimento.
Deputados estaduais de oposição fustigam Cabral por ter viajado com amigos para um passeio no Sul da Bahia nas asas de um jatinho de Eike Batista.
Interrompida por uma tragédia, a viagem de Cabral resultou na morte de sete acompanhantes, entre eles a namorada do filho do governador.
E o Ministério Público Federal abriu inquérito, na Bahia, para apurar por que o traslado dos corpos para o Rio foi feito em aeronaves da FAB.
Abalado pelo desastre, Cabral pediu licença de uma semana e refugiou-se na casa que mantém na cidade de Mangaratiba.
Um imóvel também envolto em bruma de dúvidas, informa o repórter Nelito Fernandes nas páginas de Época.
Avaliada em R$ 1,5 milhão, a casa do governador fica num condomínio elegante, defronte para o mar.
No período adquiriu a propriedade, Cabral adensou os modestos salários de político com “empréstimos” tomados junto a familiares e assessores.
No intervalo de cinco anos, os “empréstimos” carrearam para a conta bancária de Cabral R$ 474.852,17.
Chefe de gabinete de Cabral à época em que ele ainda era deputado estadual, Aloysio Neves Guedes repassou-lhe R$ 54 mil. Ganhava, então, R$ 5.400 mensais.
Outro assessor, Pedro Lino, contribuiu com R$ 46 mil. Recebia salario igual ao de Aloysio: R$ 5.400.
Subchefe de gabinete do ex-deputado estadual Cabral, Sérgio Castro Oliveira entrou com R$ 31 mil.
A empresa Araras Empreendimentos, de Suzana Neves, ex-mulher de Cabral, borrifou na conta dele R$ 79 mil.
Gastão Lobosque, ex-sogro de Cabral, compareceu com R$ 264 mil.
De resto, Cabral tomou R$ 150 mil emprestados da Sociedade Três Orelhas, administradora do condomínio onde a casa está assentada.
Do ponto de vista fiscal, a compra do imóvel está recoberta pelo manto diáfano da prescrição.
A assessoria do governador informa que o papelório foi “descartado”, já que são decorridos mais de cinco anos.
No campo da política, porém, casa é, ainda, uma transação imobiliária à espera de esclarecimentos. Cabral limita-se a informar que pagou os empréstimos.
Aloysio Guedes, um dos financiadores do governador, virou conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Já nem se lembra do empréstimo:
“Faz muito tempo. É coisa muito pequena para eu recordar”.
Pedro Lino, outro provedor, também é acometido de lapsos de memória:
“Se foi feito, está em meu Imposto de Renda”.

Escrito por Josias de Souza às 20h33

Acorda, Dilma! Eles enlouqueceram! - Carlos Chagas - Tribuna da Internet - link (aqui)

 
 
domingo, 26 de junho de 2011 | 05:00

Carlos Chagas
Em 1968 a União Soviética levava às últimas consequências sua tentativa de conter reações no mundo comunista. Invadira a Tchecoslováquia com tanques, canhões e soldados para ninguém botar defeito. A última resistência restringiu-se à Universidade de Praga, onde os estudantes rebelados e já derrotados escreveram no muro da reitoria: “Acorda, Lenin! Eles enlouqueceram!”
                                                     �
Uns por presunção, outros por cautela, os principais auxiliares econômicos  da  presidente Dilma  evoluem sobre o conteúdo do seu mandato.  O que fazer, o que mudar, o que conservar?
                                                      �
É aqui que mora o perigo, porque ministros e dirigentes do PT demonstram arrogância e já tentam enquadrar o futuro conforme suas tendências e seus compromissos. Começam a ameaçar com mais ajuste fiscal, mais sacrifícios e mais  neoliberalismo, depois de curta  temporada de promessas de campanha, ano passado, destinada a angariar votos e garantir o poder.�
                                                  �
Chega a ser agressiva a postura adotada pela equipe econômica, feliz por  continuar mas  incapaz de perceber chegada a hora de mudar de vez o  modelo que nos assola desde os tempos do sociólogo. Pregam tudo o que faz a alegria dos potentados, dos  banqueiros  e dos especuladores, esquecendo-se da classe média e até se preparando para retirar das massas o alpiste oferecido há pouco  como embuste eleitoral.  Senão vejamos: 
Prevêem os áulicos de Dilma que desta vez virá  a reforma da Previdência Social. Traduzindo: vão restringir direitos  dos aposentados, desvinculando de uma vez por todas do salário mínimo os vencimentos de quem parou de trabalhar. Pensionistas e aposentados do INSS e inativos  do serviço público que se virem, porque receberão sempre menos do que os funcionários e trabalhadores em atividade. Quem mandou envelhecerem? Não demora muito estarão todos nivelados pelo salário mínimo. Ao mesmo tempo, mantém-se o  desconto previdenciário para os que deixaram de trabalhar,  como se disputassem novas aposentadorias, sabe-se lá se no céu ou no inferno.
                                                      �
Em paralelo, a equipe econômica já alardeia que os reajustes de  salários  vão minguar, ou melhor, não haverá nenhum este ano, para o funcionalismo. Jamais isso  acontecerá em anos eleitorais, assim, há esperança para 2012. Mesmo assim, encostarão na inflação,  na dependência dela não crescer muito. Mais ainda: os responsáveis pelos juros altos são os assalariados e os aposentados, não os especuladores e os banqueiros cujos lucros, em todas  as previsões,  só farão crescer.�
                              �
No capítulo das reformas diabólicas, asseguram que desta vez virá a reforma trabalhista. Para restabelecer direitos surripiados nos oito anos do sociólogo? Nem pensar.  Para extinguir as poucas prerrogativas sociais que sobraram. Por exemplo: vão acabar com a multa por demissões imotivadas e  vão autorizar o parcelamento em doze vezes ao ano do décimo-terceiro salário e das férias remuneradas.  Como a cada ano os salário e vencimentos perdem parte de seu poder aquisitivo, em poucos anos as parcelas estão incorporadas à perda, ou seja, desaparecerão. 
Outra iniciativa a assolar o país no mandato da presidente Dilma está sendo a contenção dos gastos públicos, atendendo a exigências do poder econômico. Não apenas demissões em massa no serviço público e retomada do processo de privatizações, mas cortes em investimentos de infraestrutura, saúde, educação, habitação e congêneres.
Ninguém se iluda se, a prevalecer a cartilha dos neoliberais incrustados no governo, logo se propuser a privatização da parte da Petrobras que continuou pública, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e até dos presídios, como já acontece com os aeroportos. 
Nada melhor do que para atender as exigências do PCC, do CV e congêneres, vender as cadeias à iniciativa privada.  Algumas vão virar hotéis de cinco estrelas, para os   bandidos que puderem pagar.  O resto que se vire…  
Numa palavra, ainda que verbalmente, os auxiliares econômicos  de Dilma Rousseff estão assinando uma nova “Carta aos Brasileiros”. Trata-se da  repetição de que desenvolvimento e crescimento econômico acontecerão às custas dos mesmos de sempre, porque está  guardada  para o fim a maior de suas pérolas: reconhecendo que a carga fiscal anda insuportável para quem produz e para quem vive de salário, voltam a prometer que  na reforma tributária em gestação farão com que  “mais cidadãos paguem impostos, para  todos os cidadãos pagarem  menos”.
Trata-se do  maior embuste produzido por esses  embusteiros. Significa que o pobrezinho, até hoje livre de impostos por não ter o que comer,  começará a pagar com um único objetivo oculto: aliviar a carga fiscal do grande, daquele que pode pagar e que ficará  profundamente agradecido por  pagar menos.  
Diante dessas previsões, só resta mesmo gritar aos sete ventos: “Acorda, Dilma! Eles enlouqueceram!”

Comercial antigo - CESTAS DE NATAL AMARAL - COMERCIAL DE 1963

 
 

Charge do dia

 


http://www.elpais.com/recorte/20110626elpepuvin_1/XLCO/Ges/20110626elpepuvin_1.jpg


Erlich - El País, es