sábado, 30 de julho de 2011

Jucazinho, irmão de Jucazão, e a Conab: ‘Só bandido’ - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)


30/07/2011

Fotos: Ag.Senado, ABr e Folha

Uma característica curiosa do condomínio político-monetário que desgoverna o Brasil se observa na Esplanada dos Ministérios. O corrupto está sempre nos outros prédios.
Na pasta da Agricultura, sucedeu algo diferente. Ali, o PMDB pôs-se a acusar o PMDB de malfeitos. A trinca opõe dois pesos pesados da legenda.
De um lado, o ministro Wagner Rossi (foto ao lado), apadrinhado do vice-presidente Michel Temer.
Do outro, Oscar Jucá Neto, o Jucazinho, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá, o Jucazão.
Na última quarta (27), a cabeça de Jucazinho foi à bandeja. Rossi demitiu-o da diretoria financeira da Conab.
Em telefonema a Temer, Jucazão pediu por Jucazinho. O vice preferiu lavar as mãos. Seguiu-se uma troca de ameaças e xingamentos.
Com a cabeça já apartada do pescoço, Jucazinho enxergou em sua demissão um complô contra Jucazão. E decidiu levar os lábios ao trombone.
Falou por mais de seis horas à revista Veja. A certa altura, contou que o ministro Rossi chegou a oferecer-lhe dinheiro.
Para quê? “Era para eu ficar quieto. Ali só tem bandido.” Em essência, a bandidagem relatada por Jucazinho consiste no seguinte:
PMDB e PTB ratearam o Ministério da Agricultura com o propósito de coletar verbas ilicitamente. No português do asfalto: os partidos estão roubando a Viúva.
Segundo o irmão do líder de Dilma Rousseff no Senado, o próprio Rossi, o ministro apadrinhado pelo vice-presidente da República, comandaria o esquema.
A Conab, estatal que cuida –ou deveria cuidar— do abastecimento de grãos alimentícios, tornou-se posto avançado das malfeitorias.
Jucazinho relata pelo menos dois lances que oferecem matéria-prima para boas investigações. Isso, obviamente, se houver o interesse de investigar.
Num, a Conab estaria protelando deliberadamente o pagamento de uma dívida, para impor um pedágio ao credor.
Noutro, a estatal teria vendido, a preços companheiros, um terreno assentado em area nobre de Brasília.
Chama-se Caramuru Alimentos a credora da Conab. Gigante do Mercado agrícola, a empresa obteve decisão judicial que obriga a Conab a lhe pagar R$ 14,9 milhões.
O passivo refere-se a dívidas contratuais antigas. Coisa de 20 anos. A despeito da ordem da Justiça, a Conab demora-se em efetuar o pagamento.
Por quê? Segundo Jucazinho, para forçar a negociação de um “acerto” que eleve a dívida para R$ 20 milhões.
Os R$ 5 milhões excedentes, informa o irmão de Jucazão, seriam rateados entre autoridades do ministério.
No outro caso, o da venda do terreno, a transação foi efetivada com uma pequena empresa de Brasília.
Localizado a menos de 2 quilômetros da Praça dos Três Poderes, o imóvel foi arreamtado por R$ 8 milhões. Preço mínimo, um quarto do valor de mercado.
O dono da firma compradora ;e Hanna Massouh. Vem a ser amigo e vizinho do senador Gim Argello (DF), líder do PTB no Senado.
Gim nega ter interferido no negócio. Em nota divulgada neste sábado (30), o ministro Rossi "repudia" as acusações.
Jucazinho fala do Ministério da Agricultura –“Ali só tem bandido”— com conhecimento de causa.
Ele foi defenestrado da diretoria financeira depois de ter autorizado um pagamento irregular de R$ 8 milhões.
A grana migrou dos cofres da Conab para a caixa registradora de uma empresa de armazenagem chamada Renascença. Uma empresa fantasma.
A Renascença já foi ligada à família Jucá. Hoje, tem como “sócios” um par de laranjas: um pedreiro e um vendedor de carros.
Para piorar, o dinheiro usado por Jucazinho para abastecer a firma de fancaria saiu de um fundo que só pode ser utilizado na compra de alimentos.
Jucazinho durou pouco no cargo. Havia sido nomeado em 1o de julho. Boiam na atmosfera duas indagações incômodas:
1. Por que diabos Jucazão indicou Jucazinho para a diretoria financeira (!?) de uma estatal?
2. Por que o ministro Rossi efetivou a nomeação, com a concordância de Dilma?
As respostas encontram-se abrigagas sob a frase guarda-chuva que, pronunciada por Jucazinho, açoita os tímpanos do brasileiro em dia com seus tributos.
“Ali, só tem bandido”.

Escrito por Josias de Souza às 16h05

Johnny Otis / Harlem Nocturne

 
 

LaVern Baker - Tweedlee Dee (from Alan Freed Rock Rock Rock)

 
 

Georgy Girl - Seekers

 
 

Harry Belafonte - Cotton Fields

 
 

"This I Swear" The Skyliners

 
 

Ben E King - Spanish Harlem

 
 

Receitas do bar

 

Lomo relleno con nectarinas (El Comidista, El País, es)

Por: Mikel López Iturriaga


http://blogs.elpais.com/.a/6a00d8341bfb1653ef014e8a23ac6e970d-550wi


Como ya deberíais saber todos a estas alturas del curso, el cerdo es una de las carnes que mejor combina con la fruta. Los asados de este animal con elementos dulces son muy típicos del invierno, pero como en esa época no hay nectarinas (o son malísimas y traídas de la conchinchina), el plato que propongo se debe preparar en verano.
Os aseguro que el calor que paséis en la cocina compensa, porque el dulzor y la acidez de las natalinas (así las llamaban en una frutería que solía frecuentar en mis años mozos) resultan idóneas para acompañar el gorrino. Y si encima rellenamos la pieza con una picada de almendras, tomate y albaricoque secos, albahaca fresca y especias, el éxtasis está garantizado.
De todas formas, si os da mucho sofocón meteros con el horno, una versión para la barbacoa es perfectamente posible. Asas el lomo relleno y las nectarinas en la parrilla, te olvidas de la salsa y a correr.
Dificultad
Media: tiene su trabajo.
Ingredientes
Para 4-6 personas
  • 1 kg. de lomo de cerdo cortado para rellenar (pedidlo en la carnicería; se trata de que hagan un gran filete con él que se pueda enrollar)
  • 5 nectarinas medianas
  • 50 gr. de almendras crudas
  • 3 tomates secos en aceite
  • 3 albaricoques secos
  • 100 ml. de vino dulce
  • 4 hojas de albahaca fresca
  • 1 cucharadita de canela
  • 1 cucharadita de comino en polvo
  • Aceite de oliva
  • Sal y pimienta negra recién molida
Preparación
1. Majar las almendras en un mortero con una pizca de sal y de pimienta. Añadir los tomates secos picados y seguir majando. Repetir la operación con los albaricoques secos picados, las hojas de albahaca y las especias, hasta que quede una pasta más o menos homogénea.
2. Pelar una nectarina y picar fino la mitad. Reservar la otra parte para otras preparaciones.
3. Extender el lomo en una tabla o bandeja y salpimentarlo ligeramente. Impregnarlo con la mezcla de almendras dejando un par de centímetros limpios por cada lado, repartir por encima la nectarina picada y enrollar. Atar con cordel de cocina, volver a salpimentar levemente y, si hay tiempo, dejarlo en la nevera unas horas (idealmente, de un día para otro).
4. Precalentar el horno a 180 grados. Para que el lomo no quede muy seco, es buena idea introducir algún recipiente dentro con algo de agua para mantener la humedad en el horno.
5. Cortar las cuatro nectarinas restantes en dos partes y retirar el hueso.
6. Calentar una cazuela o fuente a fuego vivo. Embadurnar el lomo con un poco de aceite de oliva y dorarlo bien por todos los lados. No hay que marearlo, sino dejarlo un par de minutos sin moverlo por cada lado.
7. Poner las nectarinas con la carne hacia arriba alrededor del lomo y meter en el horno entre 20 y 30 minutos, hasta que el cerdo esté hecho. Si las nectarinas están blandas, meterlas mejor a mitad de la cocción.
8. Sacar la fuente del horno, retirar el lomo y dejar que repose unos 10-15 minutos envuelto en papel de aluminio. Sacar también las nectarinas a un plato.
9. Poner de nuevo la cazuela a fuego medio. Mojarla con el vino y un chorrito de agua o de caldo de carne, y mover la cazuela mientras evapora el alcohol para que la salsa ligue y espese. Añadirle el jugo que haya podido soltar el lomo en el papel de aluminio. Probar la salsa, y si está muy ácida, ponerle un poco de azúcar o de miel.
10. Cortar el hilo que ata la pieza. Servir el lomo cortado con cuidado en filetes no muy delgados (se desmoronarán si no), con las nectarinas y la salsa por encima.

O bar e os acessórios

http://www.leiweb.it/immagini/accessori/large/s-rossi-scarpe-ss11-16.jpg



Sergio Rossi



Sandali tempestati di swarovski

Orezzo - 1.560,00 euro


(Source - LeiWeb, it)

PAULO MARQUEZ - "Morena Boca De Ouro" (Ary Barroso) 1958




Blogbar do Fontana -- Nos balcões dos bares da vida

PAULO MARQUEZ - ORGIA DE SAMBA

COLUMBIA - 1958

Música - "Morena Boca De Ouro" (Ary Barroso)


Letra:

Morena boca de ouro que me faz sofrer
O teu jeitinho é que me mata

Roda morena, cai não cai
Ginga morena, vai não vai
Samba, morena, e me desacata

Morena uma brasa viva pronta pra queimar
Queimando a gente sem clemência

Roda morena, cai não cai
Ginga morena, vai não vai

Samba morena, com malemolência
Meu coração é um pandeiro
Marcando o compasso de um samba feiticeiro

Samba que mexe com a gente
Samba que zomba da gente
O amor é um samba tão diferente

Morena samba no terreiro
Pisando sestrosa, vaidosa
Meu coração, morena, tem pena
De mais um sofredor que se queimou
Na brasa viva do teu amor

TITULARES DO RITMO - "Não Quero Não" (Assis Valente) 1958




Blogbar do Fontana -- Nos balcões dos bares da vida

TITULARES DO RITMO - HOMENAGEM AO BANDO DA LUA

BERVERLY - 1958

Música - "Não Quero Não" (Assis Valente)

Letra:

Quero não, não, não,
Quero não, não, não,
Quero não, não, não,
Quero não, não, não,
Não, não, não,
não quero não, não, não
Eu não.


A baiana é muito boa
- Ela é boa?
mas não quero ela não,
não, não, não quero não
a baiana é muito boa
mas não quero ela não
a baiana põe pimenta
dentro do meu coração
(não quero não,
não quero não, não quero não,
nãaaao, não quero, quero não,
não, não, quero não)

Carioca é muito boa
- Ela é boa?
mas não quero ela não
não, não, não quero não
A carioca é muito boa
mas não quero ela não
Carioca faz um samba
dentro do meu coração
(quero não, quero não,
quero não, não, não, quero não)


A mineira é muito boa
- Ela é boa?
mas não quero ela não
não, não, não quero não
a mineira é muito boa
mas não quero ela não
a mineira põe coalhada
dentro do meu coração
(não quero não, não quero não,
não quero não,nãaaao,
não quero, quero não,
não, não, quero não)

A gaúcha é muito boa
- Ela é boa?
mas não quero ela não
não, não, não quero não
a gaúcha é muito boa
mas não quero ela não,
a gaúcha faz churrasco
do meu pobre coração
(quero não, quero não,
quero não, não, não,
não quero não)

Mas a paulista é muito boa
- Ela é boa?
mas não quero ela não
não, não, não quero não
a paulista é muito boa
mas não quero ela não
a paulista põe café
dentro do meu coração
(não quero não, não
quero não, não quero não,
nãaaao, não quero, quero não,
não, não, quero não)

TITULARES DO RITMO - "Cansado De Sambar" (Assis Valente) 1958




Blogbar do Fontana -- Nos balcões dos bares da vida

TITULARES DO RITMO - HOMENAGEM AO BANDO DA LUA

BERVERLY - 1958

Música - "Cansado De Sambar" (Assis Valente)

Bar é fotografia - Franck Rozet

http://www.nuexpo.com/photographers/rozet/15-0910.jpg


Franck Rozet

Untitled

Propinas da ANP destinavam-se ao PCdoB, diz revista - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)

Reprodução/Época


Há uma semana, a ANP (Agência Nacional de Petróleo) foi ao noticiário em posição incômoda. 
Veio à luz um vídeo gravado a pedido do Ministério Público Federal e sob orientação da Polícia Federal.
As imagens exibem reunião na qual dois assessores da ANP achacam uma advogada.  Pedem propina de R$ 40 para liberar um processo na agência.
Submetida à denúncia, a ANP tentou desqualificá-la. Dilma Rousseff e a assessoria do Planalto silenciaram sobre o caso.
Sob o silêncio das autoridades, surge agora um barulho novo. A advogada Vanusa Sampaio, alvo do achaque falou ao repórter Diego Escosteguy.
A conversa escalou as páginas da mais recente edição de Época. A revista informa: As propinas da ANP destinavam-se às arcas do PCdoB.
Desde 2003, ano inaugural da Era Lula, dirige a agência petroleira o ex-deputado federal Haroldo Lima (PCdoB-BA).
Na entrevista, a doutora Vanusa, que representa na ANP cerca de 3 mil empresas, acomoda no epicentro da denúncia um servidor chamado Edson Silva.
Ex-deputado e dirigente do PCdoB, Edson era superintendente da ANP na época em que Vanusa procurou o MP para denunciar o achaque, em maio de 2008.
Hoje, Edson continua na ANP. É assessor da direção-geral. Responde diretamente ao mandachuva Haroldo Lima.
Na conversa com o repórter, gravada, Vanusa conta que, ao assumir a chefia do setor de Abastecimento da ANP, Edson chamou-a para uma conversa.
A advogada reproduz a frase que diz ter ouvido de Edson: “Eu sei que você tem muitos processos aqui. Temos de trabalhar de forma harmônica”.
Vanusa sustenta ter deixado claro a Edson que “não faria nenhum tipo de parceria.” Seus problemas na agência começaram depois desse diálogo.
A advogada relata: Edson “começou a criar todas as dificuldades do mundo para meus clientes…”
“…Chegaram a assediar alguns deles, dizendo que, como haviam me contratado, os processos deles não iriam andar na ANP…”
“…Meus clientes ficaram preocupados e disseram que eu tinha de fazer parceria com o Edson. Eu me recusei”.
Nesse ponto, sempre segundo o relato da advogada, entraram em cena os dois assessores da ANP filmados na reunião urdida por orientação da PF.
“Eles me procuraram e me orientaram a transferir metade –metade!– dos meus clientes a um advogado de São Paulo ligado a eles”, conta Vanusa.
Como os assessores diziam falar em nome de Edson, a advogada pediu a presença dele. Encontraram-se no café de uma livraria, no Rio. Edson credenciou os prepostos.
Vanusa revela: “Eles explicaram como funcionava [o esquema] . Disseram que todos os cargos do PCdoB precisam levantar dinheiro, que tem de ser para o partido…”
A advogada procurou o Ministério Público. Contou tudo o que se passava. Armou-se, então, o flagrante gravado em vídeo.
“Um agente da PF instalou o equipamento para gravar a conversa com os dois em meu escritório. Gravei e entreguei o vídeo ao MP. Contei tudo o que sabia em detalhes”.
Nesse ponto, a advogada Vanusa injeta uma denúncia dentro da outra. Conta que havia a intenção de gravar uma segunda conversa. Porém…
“Logo depois que entreguei o vídeo e as provas que eu tinha ao MP, o agente da PF que ajudou na gravação, não sei por qual motivo, comunicou tudo à direção da ANP…”
“…Isso inviabilizou tudo. Os dois [prepostos de Edson] acabaram saindo da agência. O Edson foi tirado da Superintendência, mas virou assessor do diretor-geral logo depois”.
Vanuza relata mais: “Logo depois que minhas denúncias vazaram para a direção da ANP, recebi ameaças de morte…”
A advogada questiona: “Não falam em fazer faxina no país? Agora cabe ao MP e ao governo fazer a parte deles. O que fizeram até agora?”
Dilma Rousseff talvez devesse chamar para uma conversa o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).
Chefe da PF, Cardozo não há de ter dificuldades para verificar o que seus subordinados fizeram até agora. Já lá se vão 3 anos.

Escrito por Josias de Souza às 05h18

Dilma constrange Jobim e cogita afastá-lo da Defesa - Josias de Souza - Blog do Josias - link (aqui)


30/07/2011

  Lula Marques/Folha

Dilma Rousseff não digeriu a declaração de Nelson ‘Eu Votei no Serra’ Jobim. Com a frase atravessado na traquéia, a presidente constrangeu o ministro.
Deu-se numa cerimônia militar, no Planalto. Testemunhas, os repórteres Natuza Nery, Fernando Rodrigues e Márcio Falcão contam, na Folha, o que se passou.
Dilma tratou o titular da pasta da Defesa com frieza protocolar e ostensiva. Absteve-se de mencionar o nome de Jobim em seu discurso, como seria de praxe.
A presidente não ignorava que Jobim votara no rival tucano José Serra na eleição de 2010. Abespinhou-se mesmo assim.
Enxergou na entrevista em que Jobim fez menção à sua preferência no mínimo uma descortesia. No máximo, uma provocação.
Cogitou demiti-lo de bate-pronto. Preferiu adiar a providência. Nos arredores de Dilma, Jobim passou a ser visto como uma exoneração esperando para acontecer.
O próprio Jobim já confidenciou a amigos que não se planeja permanecer no governo até o término do mandato de Dilma. Pode ter precipitado as coisas.
Nesta sexta (29), de passagem pela ESG (Escola Superior de Guerra), no Rio, Lula manuseou panos quentes:
"Nunca me preocupei em perguntar aos meus amigos em quem votam, o voto é sagrado e cada um vota em quem quer…”
“…O Jobim não foi convidado para o meu governo por causa do voto dele."
Do Rio, Lula voou até Brasília. Avistou-se com Dilma na embaixada da Argentina. Jantariam juntos. Mas o ex-soberano tomou o avião para São Paulo mais cedo.
Nesta segunda (1o), Jobim dará nova entrevista, dessa vez ao Programa Roda Viva, da TV Cultura.
Decerto será reinquirido sobre o tema. Dependendo do que disser, pode deixar o estúdio como ex-ministro.

Escrito por Josias de Souza às 06h36

Sebastião Nery - Tribuna da Internet - link (aqui)

 
 
sábado, 30 de julho de 2011 | 03:19

E a chama se apagou

Sebastião Nery
Gastão Pedreira, baiano elegante, bem falante, engenheiro, deputado, e Lucilia Alvares, mineira, uma das alunas prediletas de Guignard, pintora promissora, conheceram-se em um congresso de estudantes no Rio, encantaram-se e se casaram em Belo Horizonte em 1958.
O padrinho de Gastão, João Falcão, eu só conhecia por sua lendária participação no Partido Comunista. Nascido em 1919, filho do usineiro de Feira de Santana João Marinho, formado em Direito em 1942, desde 1938 fundou a revista antifascista “Seiva”, fechada em 37 pela ditadura Vargas. 
Exilou-se na Argentina, voltou ao Brasil, em 45 fundou e dirigiu o semanário “O Momento”, orgão oficial do PCB na Bahia e foi candidato a constituinte pelo PCB, mas perdeu. Em 1947, quando o PC retornou à ilegalidade, veio para o Rio chefiar o “aparelho” onde se escondia Luis Carlos Prestes. Em 54, mais uma vez na Bahia, elegeu-se suplente do PTB.
***
JOÃO FALCÃO
Entre um uísque e outro depois do casamento, sabendo que eu estava chegando de Moscou impactado e desiludido com o Relatório de Khrushev sobre Stalin, João Falcão contou que, como Agildo Barata, Osvaldo Peralva, João Batista e tantos outros companheiros seus de geração e lutas contra a ditadura Vargas, também havia saído do PCB e ia lançar, em Salvador, um jornal diário para as lutas democráticas da Bahia. Gastão foi objetivo:
- Nery, estou sabendo que você vai embora para o Rio. Já está há oito anos aqui no sul. Volte para Salvador, me ajude na minha campanha para deputado e ajude o Falcão a fazer o “Jornal da Bahia”, a partir de setembro.
***
PARIS
Numa manhã muito fria do inverno mineiro, quase madrugada, já caminhando para o pequeno avião da Aerovias Brasil, que fazia um pula-pula de Belo Horizonte a Salvador, e pensando nos venturosos oito anos que Minas me dera e eu estava deixando para trás roído de saudades, de repente, muito pálida, apareceu a namorada, olhou-me com olhos que eu ainda não sabia mas já eram de eternidade e me entregou um envelope :
-  “Foi Paris quem mandou”.
No avião, ainda tremulo, abri. Era uma fita-cassete só de nossas canções ouvidas e por ela cantadas em Paris. E escrito em um papelzinho:
- “Obrigada por me ter dado Paris”.
Ouvi até se apagarem, bem depois que ela se apagou. 
***
JORNAL DA BAHIA
O “Jornal da Bahia” nasceu em 21 de setembro de 1958, sob o comando de João Falcão, com os jornalistas Ariovaldo Matos, José Gorender, Heron e Inácio Alencar, Almir Matos, Luiz Henrique Tavares, Arquimedes Gonzaga, Nelson Araujo, Jair Gramacho, e os advogados Guillardo Figueiredo, Milton Cayres, Zittelmann Oliva, Virgilio Leal, Marcelo Duarte, Alberto Castro Lima.
Redator-chefe João Batista de Lima e Silva, secretario Flavio Costa, chefe de reportagem Ariovaldo Mattos, copidesque Alberto Vita. E um jovem chargista francês, meu amigo Lauzier, que voltou para a França e se consagrou como diretor de cinema. 
Segundo Adenil Falcão Vieira, filha de João Falcão, “o Jornal da Bahia formou uma geração de grandes jornalistas, um time de primeira linha, que continua militando na imprensa baiana e nacional, entre os quais Moniz Sodré, Florisvaldo Matos, João Carlos Teixeira Gomes, João Ubaldo Ribeiro, Sebastião Nery, Antonio Torres, Carlos Liborio, Samuel Celestino, Emiliano José, Levy Vasconcelos, Newton Sobral, João Santana, Anísio Félix, Geraldo Lemos, Lopes Cunha, José Contreiras, Otacílio Fonseca, Virgilio Sobrinho, Glauber Rocha, Wilter Santiago e outros”.                       
***
“POLITICA DIA A DIA”
Repórter e redator político, eu tinha matéria demais e espaço de menos. O redator-chefe João Batista me sugeriu fazer uma coluna diária, que imediatamente começou a sair: – “Política Dia a Dia”. Era um pequeno comentário de abertura, seguido de notas curtas, noticias, fatos concretos. 
A receita era simples: não havia fatos sem pessoas falando. Não há jornalismo anônimo. Foi uma novidade na provinciana imprensa baiana. 
Logo João Falcão teve que enfrentar corajosamente duras batalhas  para resistir às pressões da ditadura militar e de seu brutal lugar-tenente na Bahia, Antonio Carlos Magalhães, que acabou fechando o jornal.
***
”VALEU A PENA”
Tudo isso está contado em excelentes livros : “O Partido Comunista que Conheci”, “Valeu a Pena”,  “Não Deixem Esta Chama se Apagar”. No dia 20 de maio do ano passado, um grupo de amigos saímos de um almoço na casa do talentoso advogado Carlos Sodré para assistir à eleição de João Falcão na Academia Baiana de Letras. A chama continuava acesa.
Esta semana, em Salvador, aos 92 anos, morreu João Falcão, que, com sua bravura, durante quase um século ajudou a escrever a historia da Bahia. Agora, a chama se apagou. Mas valeu a pena.

Charge do dia

Charge do dia 30/07/2011



Humberto - Jornal do Commercio - Recife, PE