Sebastião Nery
Nos fins de 1963, os jornalistas Murilo Marroquim e Benedito Coutinho, os dois mais antigos repórteres políticos de Brasília, foram chamados à Granja do Torto, residência oficial do presidente. João Goulart os esperava à beira da piscina, sozinho, serviu uísque aos dois:
- Vocês já estiveram na Rússia?
Murilo já, Benedito não.
- Pois se preparem os dois. Muito em breve iremos a Moscou. Olha, isso é inteiramente confidencial. Só quatro pessoas sabem disso: eu, o embaixador soviético e, agora, vocês.
Deu uma volta na piscina, pensando, voltou eufórico:
- Vamos construir a hidrelétrica de Sete Quedas (Itaipu).
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ITAIPU
ITAIPU
Os dois ouviam espantados, em silencio :
- Com que recursos, presidente?
- Financiamento russo a juros minimos. Grandes exportações de produtos agrícolas brasileiros para a União Soviética, para facilitar o pagamento. São 12 milhões de quilowatts. Técnicos brasileiros e soviéticos. Três planos quinquenais. Sós os russos possuem, hoje, turbinas para o porte de Sete Quedas. Já acertei com o Stroessner (presidente do Paraguai). A energia ociosa do Paraguai será comprada por nós. O embaixador soviético me disse que seu país não tem o menor interesse em disputar o mercado ocidental. Interessam-lhe obras como a de Assuan, no Egito. Ou Itaipu.
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JANGO
JANGO
Os dois continuaram em silencio, surpresos, Jango sorriu:
- Vocês não acreditam? Tem mais. O plano global inclui a ligação do Amazonas ao Prata. Vamos realizar o velho sonho brasileiro.
Murilo Marroquim interrompeu:
- O plano é maravilhoso, mas o senhor não vai executar. É uma obra monumental, mas é uma obra política. A Rússia não fará uma Assuan na América Latina.
- Somos um país livre, independente. Contarei com o apoio das Forças Armadas para resistir a qualquer pressão externa, e com o povo. Vou fazer.
Três meses depois Jango era derrubado. Itaipu foi feita com dinheiro ocidental, a juros máximos e apagões eventuais. À falta de melhor desculpa para o apagão que houve em Itaipu, Lula, Dilma e Lobão poderiam ter culpado o golpe de 64.
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CHUTES
CHUTES
Lula não engana. Mente e assume. Sobre o apagão de Itaipu, disse na época:
- “Não vou chutar nesse (sic) assunto”.
Nos outros assuntos ele continuará “chutando” à vontade.
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FAZ DE CONTAS
FAZ DE CONTAS
Segundo Lula, cada dia mais metido a mussolinizinho de Caetés, “a imprensa é para informar e não fiscalizar”. E o governo continua uma Medida Provisória ou emenda à Constituição para controlar a imprensa.
Com a experiencia do Mensalão, dos Sanguesugas, das Cuecas, dos Aloprados, o PT e seus financiadores empresariais querem o“direito legal”de roubarem em paz.


Chama-se Eunício Oliveira (PMDB-CE) o presidente da CCJ. Recebeu o projeto das mãos de Ferraço. Comprometeu-se a levá-lo a voto na comissão. Lorota. Decorridos quase cinco meses, Eunício, um senador das cavalariças de Sarney, mantém na gaveta a proposta que atenua os pendores perdulários do Senado.
Ferraço recorda que que o contribuinte gastou R$ 500 mil para pôr o projeto de reforma em pé. O dinheiro desceu à caixa registradora da Fundação Getúlio Vargas em duas parcelas de R$ 250 mil.



