segunda-feira, 10 de outubro de 2011

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Deu no Blog do Josias  (aqui)

Conar julgará o ‘caso Gisele Bündchen’ nesta a quinta

Fotos: Fábio Pozzebom/ABr e Divulgação


O Conar (Conselho Nacional de Autoregulação Publicitária) agendou para esta quinta-feira (13) o julgamento do “processo ético 225/11.”
Refere-se a uma representação formulada por Iriny Lopes, ministra-chefe da Secretaria de Políticas para as Muheres da Presidência da República.
Datado de 26 de setembro de 2011, o documento da ministra pede que seja retirada do ar propaganda da empresa Hope.
Estrelada pela modelo Gisele Bündchen, a campanha que abespinhou Iriny é composta de três peças. Podem ser assistidas aqui, aqui e aqui.
Em sua representação, cuja íntegra está disponível aqui, a ministra anota:
A publicidade “intima as mulheres brasileiras a fazerem uso de seu ‘charme’ (exposição do corpo e insinuações) para amenizar possíveis reações de seus companheiros frente a incidentes do cotidiano.”
Algo que, a seu juízo, “promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como mero objeto sexual de seu marido e ignora os grandes avanços que temos alcançado para descontruir práticas e pensamentos sexistas.”
Para Iriny, a publicidade, por seu “conteúdo discriminatório contra a mulher”, infringiu o artigo 1o da Constituição, que prevê em seu segundo inciso o “respeito à dignidade da pessoa humana.”
Acha que houve afronta também ao artigo 5o do texto constitucional, que anota no inciso primeiro: “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.”
De resto, a ministra invoca como fundamento do seu pedido três artigos do Código de Ética do Conar: 19, 20 e 21. Rezam o seguinte:
- Artigo 19: Toda atividade publicitária deve caracterizar-se pelo respeito à dignidade da pessoa humana, à intimidade, ao interesse social, às instituições e símbolos nacionais, às autoridades constituídas e ao núcleo familiar.
- Artigo 20: Nenhum anúncio deve favorecer ou estimular qualquer espécie de ofensa ou discriminaçãoo racial, política, religiosa ou de nacionalidade.
- Artigo 21: Os anúncios não devem conter nada que possa induzir a atividades criminosas ou ilegais –ou que pareça favorecer, enaltecer ou estimular tas atividades.
Criado em 1980, o Conar é uma entidade de direito privado que tem como missão “impedir que a publicidade enganosa ou abusiva cause constrangimento ao consumidor ou a empresas.”
O conselho age por iniciativa de seus diretores ou quando provocado por “denúncias de consumidores, autoridades e associados.” A queixa de Iriny encaixa-se no segundo caso.
As denúncias são julgadas por um Conselho de Ética, que confronta as representações com a defesa dos acusados.
O histórico do conselho demonstra que os resultados dos julgamentos costumam ser acatados por empresas e agências publicitárias que assinam os comerciais questionados.
No caso da publicidade de calcinhas e sutiãs da Hope, a representação de Iriny Lopes, seja qual for o resultado, surtiu efeito inverso do pretendido.
A intervenção da ministra produziu uma polêmica que deu ao comercial que se pretende proibir uma visibilidade inaudita.
Concebidas para a televisão, as peças protagonizadas por Gisele correram a internet, ganharam as páginas dos jornais e das revistas.
Ainda que prevaleça no Conar, a ministra já desceu à crônica do anúncio como a maior propagadora do suposto “reforço do estereótipo equivocado da mulher como mero objeto sexual.”
No Planalto, órgão ao qual a secretaria de Iriny está vinculado, a ação da ministra foi recebida com reservas.
Os críticos mais amenos tacham a representação ao Conar de “desnecessária”. Os mais severos qualificam a iniciativa de “desastrosa”.

Escrito por Josias de Souza às 04h52

Sebastião Nery - Tribuna da Internet - link (aqui)

 
 
segunda-feira, 10 de outubro de 2011 | 03:42

A tirania dos bancos

Sebastião Nery
PARIS – Ele nasceu quando o coração do século passado explodia em seu primeiro enfarte : revolução russa de outubro de 1917. Alemão de Berlim, Stephane Hessel tinha 20 anos quando combateu o nazismo, asilou-se na França, naturalizou-se francês, entrou na Resistência francesa e foi para Londres lutar ao lado do general de Gaulle.   
Preso pela Gestapo em 1944, foi deportado para os campos de concentração de Buchenwald e Dora, na Alemanha, onde ficou dois anos e fugiu em1945. A partir daí é um cidadão do mundo a serviço do mundo. Na ONU, participou da comissão de redação da Declaração Universal dos Direitos do Homem, da qual fez parte o brasileiro Austregésilo de Athayde.
Embaixador da França nas lutas pela paz, mundo afora, atua, mobiliza, escreve livros (“Dance com o Século”,“Cidadão Sem Fronteiras”). Em outubro do ano passado, surpreendeu a França, a Europa e o mundo com um poderoso manifesto de poucas dezenas de paginas, traduzido em todos os paises e que logo chegou a milhões de exemplares (“Indignez-vous!”), agora seguido por outro (“Engagez-vous”!). Tornaram-se  bandeiras de lutas da juventude arabe sublevada e até em Wall Street.
***
HESSEL
O que Hessel previu, pregou, ensinou, do alto de seus 94 anos de sabedoria, está nos jornais, revistas e televisões  da Europa inteira:
1 – “Acho que o escândalo maior é econômico. É o das desigualdades sociais, da justa posição de extrema riqueza e da extrema pobreza em um planeta interconectado. Resistir não é simplesmente refletir ou descrer. O que é preciso é empreender uma ação”.
2 – “É preciso jugular a especulação financeira através de um controle estreito dos bancos, da supervisão vigilante das agências de classificação. Criar uma taxa sobre as transações imediatas. Proibição de flutuações de preços. Uma lei antitruste proibindo monopólios e oligopólios. E uma ação internacional para supressão dos paraísos fiscais”.
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JEAN DANIEL
1. – Jean Daniel, principal editorialista da “Nouvel Observateur” :
- “Como a crise vai lançar nas ruas, por toda parte, os “indignados” do mundo”, jamais foi tão importante ajudá-los a escolher sua causa”.
2. – “Daniel Cohn Bendiit, principal líder de maio de 1968 :
- “Quando um homem que combateu o nazismo e sobreviveu às torturas e aos campos de concentração, vem denunciar “a tirania dos mercados financeiros mundiais” (dos bancos), é preciso ouvi-lo como um profeta em seu pais. A lição de Hessel é : indignar-se, reencontrar uma dignidade perdida. A indignação só tem valor com a mobilização”.
3. – “Le Nouvel Observateur” : “Os protestos ganham os Estados Unidos. As manifestações espontaneas contra os excessos do sistema financeiro chamaram a atenção de Nova York. Ocuparam o Zuccotti Park”.
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CHESNAIS
“François Chesnais, guru da economia francesa, professor emérito da Universidade de Paris,editor da revista“Carré Rouge”, a Eleonora Lucena”:
- “A crise representa o beco sem saída, o impasse absoluto do regime guiado pela dívida. Ficou impossível o pagamento da dívida soberana… Nunca os lucros financeiros foram tão altos em comparação com a atividade produtiva…. Não haverá fim para a crise mundial enquanto os bancos e os investidores estrangeiros estiverem no comando… O poder das agências de classificação de risco espelha o quanto os governos foram colocados nas mãos das finanças… A crescente percepção da corrupção político-financeira atiça a indignação e faz os jovens mais pobres usarem os únicos métodos que têm à disposição…É possível que nos próximos meses ocorra da França uma reação popular contra os cortes de Orçamento”.        
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BRASIL
1. – O que dizem os jornais e revistas daqui não é diferente do que escreveu o lucido Ricardo Melo  (“Folha”) : – “Diante da ditadura dos grandes bancos e de sua contabilidade macabra, persiste uma certeza: salvo um milagre, a solução da crise atual passa pela superação de um sistema avesso à distribuição nacional dos recursos produzidos. Sem mexer nesse fundamento, tudo será paliativo, enganoso, como aliás tem sido”.
2 – E Rosiska Darcy de Oliveira (“Globo”): “Os saques são o rebatimento no submundo da sociedade, da escroqueria financeira que, por cima, inventa derivativos e saqueia a economia mundial e as economias de cada um, vangloriando-se de seu estilo agressivo. Quando os bancos colapsam e as falências se dão em castelos de cartas, a conta final vai para os Estados, logo para nós todos. A crise de fato é esse sistema desgovernado e impune, que já arruinou meia dúzia de países e ameaça destroçar outros”.
Os colegas brasileiros do jornalismo econômico sabem bem de tudo isso. Mas não dizem nada porque marcham no exercito paraguaio dos bancos. Deviam assistir comigo aqui ao seminário “Les Débats Le Monde” -  “O Estado Submetido à Tirania dos Mercados. A batalha está perdida”?

Comercial antigo - CANADA DRY GINGER ALE 1950s COMMERCIAL GAIL DAVIS



Charge do dia

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El Roto - El País, es