quarta-feira, 4 de abril de 2012

Johnny Cash - Ring Of Fire - Legendado



Johnny Cash - God's Gonna Cut You Down [ Legendado - Traduzido ]



Johnny Cash - In my life ( Tradução Português )



Johnny Cash - San Quentin ( LEGENDADO )



Johnny Cash - I Walk The Line - Legendado



Hurt - Johnny Cash (Legendado)



Animals - House Of The Rising Sun legendado



Sebastião Nery - Tribuna da Internet - link (aqui)

 
 
quarta-feira, 04 de abril de 2012 | 03:13

O alto clero e o baixo clero

Sebastião Nery
Não se falava em outra coisa, aqui em Brasilia, naquele junho de 1964, dois meses e meio depois do golpe e dois meses depois da posse do general Castello Branco na Presidência da Republica: a prorrogação de seu mandato.
Castello tinha jurado diante do Congresso, no dia 15 de abril: “Entregarei o governo no dia 31 de janeiro de 1966, a quem for eleito no dia 3 de outubro de 1965”. Mas no dia 8 de junho cassou logo Juscelino, candidato já lançado. Sobrou Lacerda.
Consultado pelos generais Cordeiro de Farias e Ernesto Geisel, “Castello chegou a ameaçar com sua renúncia, se o Congresso aprovasse a prorrogação à sua revelia”. Tudo farsa. A pedido de Daniel Krieger (UDN do Rio Grande do Sul), líder do governo no Senado, na biblioteca particular de Afonso Arinos, em Botafogo, no Rio, na maior moita, foi redigida, escondido, a emenda da prorrogação, que na hora oportuna seria assinada pelo senador João Agripino (UDN da Paraíba).
O jornalista Hélio Fernandes, amigo íntimo de Lacerda, várias vezes advertiu o governador da Guanabara de que a prorrogação significaria a liquidação da candidatura dele. Lacerda veio a Brasília com o vice Raphael Magalhães e Hélio Beltrão, secretário de Planejamento, conversar a UDN: “Deputados e senadores mostraram-se reticentes”. Na volta, no avião, Hélio Beltrão disse a Lacerda:
- Carlos, o presidente Castelo Branco fala que é contra a prorrogação. A bancada da UDN diz que não tem nenhuma responsabilidade na iniciativa. Mas assim mesmo a emenda vai passar. É um crime sem autoria, cujo alvo é a sua candidatura. Um crime perfeito, enfim.
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VACA FARDADA
Uma tarde, o general Olímpio Mourão Filho saía do gabinete de Castello, no Palácio do Planalto. O veterano repórter Ronan Soares o viu:
- General, o senhor veio tratar da prorrogação do mandato do presidente?
- Meu filho, em matéria de lei sou uma vaca fardada.
Um contínuo acompanhava o general Mourão. Ronan perguntou:
- Você ouviu o que o general disse?
- Não ouvi nada. Sou um boi à paisana.
Castello articulava a seu feitio: embuçado e disfarçado. No dia 18 de junho, almoçou com os cardeais da UDN: Bilac Pinto, presidente, Pedro Aleixo (MG), Paulo Sarazate (CE). À tarde, recebeu no Planalto “a parte da bancada do PSD que não rompera com o governo no expurgo de JK”. A assessoria de imprensa logo informou que, nos dois encontros, Castello “não permitiu que a conversa enveredasse para a prorrogação”.
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LIRA NETO
Em sua excelente biografia de Castello Branco, a mais isenta de todas (“Castello, a Marcha Para a Ditadura”), o jornalista cearense Lira Neto levantou e documentou o dia-a-dia da operação-prorrogação.
No dia 14 de julho, em Belo Horizonte, o governador Magalhães Pinto (que sabia não ter condições de disputar com Lacerda), diante do general Costa e Silva, ministro da Guerra, disse que “não havia clima para o país ir às urnas”. Lacerda respondeu no dia 15, na TV Itacolomi, de Belo Horizonte:
- Em vez das reformas de base, exige-se que o povo não vote, como condição da democracia. Uma parte do Congresso, que votou no presidente Castello Branco por medo dos tanques, agora pretende prorrogar-lhe o mandato por medo do povo.
Lacerda escreveu a Bilac Pinto, presidente da UDN:
“A prorrogação constitui um ato de covardia com o povo e somente beneficia os oportunistas e sinistros aventureiros que novamente se conluiam”.
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O VOTO BÊBADO
“Um dia após a entrevista de Lacerda em Belo Horizonte, o Congresso se reuniu em sessão noturna para votar a emenda. O Senado, com os expurgos, prometia uma votação tranqüila (43 a 6). Na Câmara, seriam necessários 205 votos para a maioria absoluta. A votação era protelada em busca dos deputados faltosos. Já passava de uma hora da madrugada, quando a votação finalmente teve inicio.
“Quanto faltavam vinte minutos para as 5 da manhã, votou o último deputado: 204 a favor, 96 contra. Derrotada por um único voto. A oposição comemorou com palmas e gritos. O senador Daniel Krieger, inconformado, argumentou que, com os expurgos, a Câmara estava desfalcada de 4 deputados e portanto 204 eram maioria”.
Tinham ido buscar o deputado Luiz Bronzeado, da UDN da Paraíba, que estava bebendo em um botequim do Plano Piloto. Chegou aos tombos, votou “não”. Depois consertou, dizendo que tinha votado “sim” e foi registrado “não”.
O alto clero do Congresso, comandado pelos cardeais da UDN, tinha prorrogado o mandato de Castello com um voto bêbado.
Essa é a diferença entre o alto clero e o baixo clero. O alto clero, segundo Lacerda, era um punhado de “oportunistas e sinistros aventureiros que se conluiam” em silêncio. Já o baixo clero se conluia escancaradamente.

Enquanto isso, no gabinete de Perillo...



Deu no Blog do Josias (aqui)

Cachoeira vazava operações da PF para a chefe de gabinete de Perillo, governador tucano de GO

Josias de Souza


No curso das investigações da Operação Monte Carlo, a Polícia Federal detectou uma inusitada triangulação telefônica entre o contraventor Carlinhos Cachoeira e Eliane Gonçalves Pinheiro, a chefe de gabinete do governador tucano de Goiás Marconi Perillo.
Munido de informações recolhidas pela rede de policiais que prestavam serviços à sua quadrilha, Cachoeira repassava à assessora de Perillo dados sigilosos de operação da própria Polícia Federal.
A conexão de Cachoeira com o gabinete do governador tucano consta de relatório da PF. Deve-se a revelação aos repórteres Chico de Gois e Jailton de Carvalho. A dupla trouxe à luz o conteúdo de torpedos e conversas captadas pela PF.
Cachoeira repassou a Eliane dados referente a uma operação policiais desencadeada em 13 de maio de 2011. Chamava-se Operação Apate. Visava desbaratar esquema de fraudes contra a Receita Federal. Coisa de R$ 200 milhões.
Envolvia o cumprimento de 82 mandados judiciais de busca e apreensão e 13 ordens de prisão em cinco Estados: Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Minas Gerais. Envolvia prefeitos e servidores graduados de vários municípios.
A chefe de gabinete de Perillo dispunha de um aparelho de rádio Nextel igual ao que Cachoeira cedera ao senador Demóstenes Torres. Um equipamento habilitado em Miami, que a quadrilha supunha imune a grampos.
Em 12 de maio, véspera da operação farejada pela rede de iformantes de Cachoeira, o contraventor trocou torpedos com Eliane. O primeiro alerta seguiu às 20h16: “Vai ter busca na casa e prefeitura”, avisou Cachoeira. E Eliane: “Ok, entendi.”
Cachoeira foi específico: “Somente busca.” E aconselhou: “Pede a ele que tire as filhas de lá.” Eliane respondeu: “Elas estão na casa dele em Taguatinga. Vc. acha q eles vão procurar lá tbem? Ele tem as duas residências”.


“Acredito q não. Uruaçu, Minaçu”, anotou Cachoeira, referindo-se a dois municípios que reeberiam a visita de agentes da PF. O contraventor encerra a troca de mensagens com um par de interrogações: “Entendeu? Falou pro chefe?”
Como que decidido a certificar-se de que Eliane compreendera suas mensagens, Cachoeira tocou o telefone para ela doze minutos depois do intercâmbio de mensagens. O diálogo foi capturado pelo grampo.
“Eliane?”, inicia Cachoeira. “Estou ouvindo”, Eliane responde. Esquivando-se de mencionar o nome do chefe de sua interlocutora, o contraventor indaga: “Falou pro maior?” E Eliane: “Falei, estou com ele aqui. Tá aqui. Imagina como que tava.”
Antes do término do diálogo vadio, Eliane perscruta sobre a existência de novo salvos da PF. Cachoeira responde, em mau português: “Não. Já, já eu te falo. O que eu sei é esses aí. Num tem ninguém grande não.” Eliane roga: “Se você ficar sabendo, me fala. Tem uns pequenos aí que interessa à gente.”
Ouvida, a chefe de gabinete de Perillo reconheceu que conhece Cachoeira desde 2003. Declara que a Eliane mencionada no relatório da PF pode ser uma advogada homônima. Impossível. A PF menciona no documento nome, sobrenome, CPF e os números dos telefones utilizados.
Eliane diz que o Nextel fisgado pela PF não foi cedido por Cachoeira. Alega que um amigo lhe cedeu o aparelho para que ela o utilizasse numa viagem ao exterior. Chama-se Wladimir Garcez. Vem a ser um ex-vereador. Segundo a PF, um integrante da quadrilha de Cachoeira.
Procurado, Perillo manifestou-se por meio da assessorial. Mandou dizer que desconhece a relação de sua chefe de gabinete com Carlinhos Cachoeira. E mais não disse.
De acordo com a PF, Cachoeira repassou dados policiais sigilosos também para Cláudio Dias Abreu, um ex-diretor da construtora Delta no Estado de Goiás. Esas conversas também foram pilhadas nas escutas telefônicas.
Cláudo Abreu recorreu aos bons préstimos de Cachoeira, por exemplo, em 14 de julho de 2011. Buscava informações sobre operação que a PF realizaria no Pará. “É deixa eu te falar, nós ficamos sabendo que vai ter uma operação lá no Pará, dá pra você levantar se vai ter reflexo aqui?”
Cachoeira tranquiliza o interlocutor. Declara que, se a operação paraense chegasse a Goiás um dos delegados ligados à quadrilha já teria alertado. Presidente da Delta, Fernando Soares negou, por meio da assessoria, que a construtora mantenha vínculos com Cachoeira. Disse que Cláudio Abreu foi desligado da empresa em 8 de março, após a deflagração da Operação Monte Carlo.

Assim é se lhe parece...não é mesmo Ideli?



Deu no Blog do Josias (aqui)

Ideli tenta se explicar aos líderes do PT e PMDB sobre lancha$ da Pesca: ‘Não é problema meu!’

Josias de Souza


A ministra Ideli Salvatti, coordenadora política de Dilma Rousseff, reuniu-se a portas fechadas com os líderes do PT e do PMDB. Longe dos refletores, tentou explicar o rumoroso caso das lanchas adquiridas pelo Ministério da Pesca.
Ideli disse que a compra de 28 embarcações, feita em processo apinhado de irregularidades, foi feita antes da chegada dela na pasta da Pesca. Coisa do antecessor petista Altemir Gregolim.
As lanchas custaram ao Tesouro R$ 31 milhões. Auditoria do TCU descobriu que 23 das 28 embarcações encontravam-se paradas, em vias de virar sucata. Detectaram-se, de resto, indícios de superfaturamento, pagamentos antecipados, serviços não realizados e aditivos contratuais suspeitos.
Ideli não negou os malfeitos. Preocupou-se apenas em tomar distância deles. Insinuou que, se alguém deve explicações, não é ela. Tentou dissociar-se também do desdobramento do episódio: a doação eleitoral de R$ 150 mil feita ao PT catarinense pelo fabricante das lanchas, a empresa Intech Boating.
Na versão de Ideli, a doação foi feita ao partido sem a interferência direta dela. Reconhece que a verba foi repassada ao comitê de sua campanha ao governo de Santa Catarina, em 2010. Mas sustenta que não partiu dela a solicitação.
Derrotada nas urnas, Ideli foi acomodada por Dilma na poltrona de Ministra da Pesca. Nessa função, mandou pagar a última parcela das lanchas. Coisa de R$ 5,2 milhões. Alega que apenas liquidou uma fatura contratada na gestão anterior.
Ouviram Ideli: os líderes do PMDB Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros, os líderes do PT Jilmar Tatto e Walter Pinheiro e os líderes do governo na Câmara, no Senado e no Congresso, respectivamente Arlindo Chinaglia (PT), Eduardo Braga (PMDB) e José Pimentel (PT).
A repórter Marta Salomon veicula notícia que indica que as explicações de Ideli aos líderes devem ser levadas em conta apenas até certo ponto. O ponto de interrogação. Identificou-se o petista que pediu a contribuição financeira ao fornecedor das lanchas do Ministério da Pesca.


Karim Bacha

Chama-se Karim Bacha. Respondia na época pela secretaria de Planejamento da Pesca. Em setembro de 2010, dividia-se entre as atribuições do ministério e o engajamento na campanha de Ideli.
Ouvido sobre a mordida em José Antônio Galízio Neto, o dono da Intech Boating, Bacha declarou: “Durante o processo eleitoral, acabamos conversando com muitas pessoas. Eu posso ter conversado com o Neto também. Não vou dizer que não, porque faz tanto tempo.”
Dono de memória mais atilada que a de Bacha, o empresário José Neto soou peremptório: “Tive contato com ele, sim. Foi mais ou menos uma semana, dez dias antes de eu fazer a doação, uma coisa assim. No meio da campanha, próximo das eleições, foi solicitado que a gente… bem, o resto você já sabe.”
De acordo com os registros do TSE, os R$ 150 mil da Intech Boating pingaram nas arcas do PT catarinense em 13 de agosto de 2010. O partido bancou 81% dos custos da campanha de Ideli. Em reais: R$ 2,9 milhões. Na semana passada, José Neto já havia reconhecido que contribuiu com o PT “a pedido” do Ministério da Pesca.
Quer dizer: a ordem para a compra das lanchas inservíveis partiu do ex-ministro Gregolim, petista como Ideli, catarinense como ela. Cuidou da captação eleitoral o petista Bacha, engajado na campanha de Ideli. Nomeada ministra, Ideli mandou pagar a derradeira fatura ao fornecedor. Mas Ideli não tem nada a ver com o peixe.
Aos líderes, a coordenadora política de Dilma afirmou que, se tivesse migrado da campanha de 2010 direto para a pasta das Relações Institucionais, sem fazer escala na Pesca, ninguém estaria invocando a participação dela na encrenca. Será? “Não é problema meu”, disse Ideli. “Se alguém tem que explicar, não sou eu.”

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Tiago Recchia - Gazeta do Povo - Curitiba, PR