Blogbar do Fontana -- Nos balcões dos bares da vida
ELZA SOARES BATERISTA WILSON DAS NEVES
ODEON - 1968
Diretor Musical - Lyrio Panicali
Orquestrador e Regente - Nelsinho
Foto - Mafra
Música - "Palhaçada" (Luiz Reis & Haroldo Barbosa)
Letra:
Cara de palhaço
Pinta de palhaço
Roupa de palhaço
Foi este o meu amargo fim;
Cara de gaiato,
Pinta de gaiato,
Roupa de gaiato,
Foi o que eu arranjei pra mim.
Estava roxa por um trouxa
Pra fazer cartaz,
Na tua lista de golpista
Tem um bobo a mais
Quando a chanchada deu em nada
Eu até gostei
E a fantasia foi aquela que esperei.
Cara de palhaço
Pinta de palhaço
Roupa de palhaço
Pela mulher que não me quis,
Mas se ela quiser voltar pra mim
Vai ser assim,
Cara de palhaço,
Pinta de palhaço
Até o fim!!!
Dilma acaba de descobrir que ‘a casa própia’, entre outros espantos, ‘mostra a nossa capacidade de viver e de morrer’
Enquanto os flagelados da Região Serrana do Rio tentam descobrir que fim levaram as 6 mil casas prometidas em janeiro de 2011, Dilma Rousseff inaugura um conjunto habitacional por discurso. Nesta quinta-feira, achou que também deveria explicar à plateia o que é uma casa. Conseguiu superar-se ─ e inspirou mais um texto inesquecível de Celso Arnaldo. (AN)
CELSO ARNALDO ARAÚJO
A Casa do Espanto de Dilma não é um lugar para as pessoas morarem, como qualquer casa. Ela reúne relações, é um centro comunitário de acolhimento universal e mostra nossa incrível capacidade de morrer. E ainda perguntam por que o Minha Casa, Minha Vida não sai do chão
Primeiro, era um milhão. Depois dois, que logo viraram três. E, há algumas semanas, Dilma acordou com vontade de fazer mais 400 mil – que se somarão, como um bônus mágico, aos três milhões, dentro de seus primeiros quatro anos de governo. No segundo mandato, até as casas dos botões de seus terninhos serão adicionadas à meta do MC, MV.
Mas um volume desses de casa própria não é promessa que se possa ir disfarçando com uma inauguraçãozinha aqui, uma cerimoniazinha ali – como a das seis mil creches que abrigarão até os netos de Eike Batista ou das 101 mil bolsas de estudos internacionais concedidas a jovens gênios do Brasil Maravilha. Casa existe ou não. Ou tem quatro paredes e um teto, foi escriturada e tem fechadura na porta ou não é casa. E, realisticamente, sem juízo de valor ou denúncia vazia, qualquer especialista brasileiro em sistema habitacional sabe que a meta das 3.400.000 casas até o fim do primeiro mandato de Dilma é pura fantasia – talvez 20% disso, se tanto, recebam moradores até o fim de 2014.
Mas o Minha Casa, Minha Vida, agora com o número 2 acoplado ao nome pomposo, talvez para transmitir a ideia de que a etapa 1 (2 milhões de unidades) já foi concluída, é indiscutivelmente a menina dos olhos de Dilma. Talvez seja por isso que, não havendo casas com tijolos, janelas, vasos sanitários, pias, torneiras e lâmpadas em número suficiente para legitimar o programa e suas metas, há mais de dois anos Dilma dedica um esforço comovente a tentar explicar a “filosofia” por trás da casa própria. A casa própria como entidade. Não três milhões de casa, mas uma única casa – mítica, mágica, sobre-humana.
Para as pessoas que nela morarão, ou morariam, não há nenhum mistério: morar em casa é melhor do que morar na rua; morar em casa própria é melhor do que pagar aluguel ou morar de favor; enfim, ter uma casa é melhor do que não ter. Não é preciso ir além disso para convencer as pessoas de que é bom ter casa própria. Aliás, nessa questão, não é preciso convencer as pessoas de coisa alguma – basta facilitar-lhes o acesso à casa.
CONCEITOS PRIMITIVOS
É Dilma quem não está convencida disso. Desde a campanha, ela se desdobra para tentar explicar a importância existencial da casa própria que ainda não existe para os candidatos ao programa. Porém, incapaz de explicar a uma criança de cinco anos o significado do Natal, a cada tentativa a casa própria de Dilma fica mais vazia. Como construção formal de ideias, um casebre inabitável. Como ideia em si, um conjunto de impropriedades – perdoem o trocadilho voluntário — que geram dúvidas cada vez mais dramáticas sobre a real formação educacional da presidente e sua capacidade de governar.
E o já célebre discurso da casa própria, que até seus auxiliares devem temer, piora a cada dia – imagino que, até a entrega da casa de número 3.400.000, será preciso tirar as crianças da sala e deixá-las na rua.
Mas o de hoje é insuperável — pelo menos até o próximo. Não foi num canteiro de obras, para futuros moradores – o que, em tese, poderia justificar a fala paupérrima. Mas num auditório em Brasília, presentes inúmeras autoridades: mais um anúncio de expansão do programa. O almoxarifado do Palácio não está dando conta dos pedidos de papel-ofício.
Como suposto e calejado especialista em dilmês, confesso que poucas coisas ainda me surpreendem na fala de Dilma e em seu repertório de meia dúzia de conceitos primitivos sobre as coisas. Mas desta vez a casa caiu. Ouçam, por favor, o pensamento inicial, que vai de 0:10 a 0:56 – esqueça o resto. Não há palavras para descrevê-lo – da mesma forma que Dilma não as teve para fazê-lo:
“Eu acredito que a questão da casa própia (sic) é uma questão muito importante na vida das pessoas. Ela reúne a relação que nós temos com os nossos filhos, com a nossa família e com os nossos amigos. Então ela é um espaço onde a gente constrói o lar e a proteção. E ao mesmo tempo ela mostra a nossa capacidade de viver e de morrer. Mostra aonde (sic) as famílias acolhem as crianças, os adultos e os idosos”.
É o caso de perguntar: seria exagero incluir esse parágrafo naquelas antologias de pérolas do ENEM ou do vestibular que circulam na internet? Seria exagero concluir que a presidente Dilma não tem a mais remota noção do que está falando?
A casa própia (não) de Dilma reúne, para usar sua própria (sim) linguagem, arrepios que não foram sentidos nem em Elm Street. O ponto mais assustador dessa falação sem nexo é nos mostrar que, dentro da casa, somos mortais. Quererá isso dizer, por linhas tortíssimas, que muitos inscritos no Minha Casa, Minha Vida morrerão antes de poder viver nela?
Pela primeira vez o governo brasileiro enfrenta o poderio dos bancos privados sem dispor de controle direto sobre os juros e num regime plenamente democrático. É esta a grande novidade da campanha empreendida pela presidente Dilma Rousseff contra o preço ultrajante dos financiamentos no mercado nacional. Sem poder legal para impor um freio à agiotagem, a autoridade recorre a meios indiretos e sem garantia de resultados, como o corte de juros pelas instituições sob controle estatal - a começar pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica. Se esse lance produzirá algum bom efeito só se saberá mais tarde. Mas o confronto está aberto e a primeira resposta dos banqueiros teve um ar de bravata. Em vez de propor ao governo um roteiro para redução de juros, o presidente da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, levou ao Ministério da Fazenda uma lista com 22 reivindicações.
Essa atitude foi - como era de esperar - mal recebida pela presidente e esse desagrado foi ecoado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Os banqueiros, disse ele, têm condições para baixar o custo do dinheiro sem receber compensação do governo, porque sua margem de lucro é muito ampla e o setor é um campeão de rentabilidade. A economia brasileira, segundo o ministro, pode funcionar com juros muito mais baixos sem prejuízo para os bancos e sem diminuição dos impostos recolhidos pelo setor. Os banqueiros recusaram-se a piscar e o governo reagiu ao desafio.
O ministro tem razão quanto a três pontos: os juros são excessivos, a margem de lucro dos bancos é muito ampla e a rentabilidade do setor tem sido comprovada de forma quase ofensiva pelos gordos balanços publicados. A margem líquida representa quase um terço do spread - a diferença entre os juros pagos na captação de recursos e aqueles cobrados pela concessão de empréstimos. Em 2010, segundo relatório publicado em dezembro pelo Banco Central, a margem de ganho correspondeu a 32,7%. Impostos indiretos representaram 21,9%. Depósitos compulsórios, subsídios cruzados, encargos fiscais e Fundo Garantidor de Crédito somaram 4,1%. Custo administrativo, 12,6%. Inadimplência, 28,7%, mas o peso deste item diminuiu nos últimos anos. Provavelmente será ainda menor se o custo dos empréstimos chegar a níveis civilizados.
Os banqueiros podem ter alguma razão quando reclamam dos depósitos compulsórios muito grandes e do peso dos tributos. Mas, se esses componentes do spread forem reduzidos, nada garantirá o barateamento dos empréstimos. O resultado principal poderá ser um aumento da margem líquida dos bancos. Por que os banqueiros cortarão seus lucros, se as condições de mercado permitirem juros altos? Este é o problema real. O mercado bancário brasileiro é altamente concentrado e a competição entre as instituições é muito limitada. Vários movimentos de concentração ocorreram desde a segunda metade dos anos 60, com fusões, compras e quebras de bancos pequenos. Pode ter havido ganhos de escala e redução dos custos unitários dos serviços financeiros, mas o resultado principal foi sempre o aumento de poder dos maiores grupos.
O último grande surto concentrador começou com o Plano Real, nos anos 90, e o fim dos ganhos extraordinários proporcionados pela inflação. Em 1996, os 10 maiores bancos detinham 50,8% dos ativos do setor. Em 2010, 80,9%. Vários estudos mostraram os efeitos da concentração bancária sobre a concorrência. Os maiores grupos acabam sendo diferenciados não só pela dimensão de seus ativos, de suas operações e de suas redes de agências, mas também pela tecnologia e pelos serviços.
A concentração foi geralmente apoiada pelas autoridades financeiras e quase sempre malvista pelos funcionários encarregados da defesa da concorrência. O processo criou instituições mais sólidas, mas diminuiu a competição e gerou um enorme poder de controle dos próprios preços. Quebrar esse poder será uma tarefa complicada, talvez só realizável com uma nova legislação. A redução de juros dos bancos estatais poderá produzir algum efeito benéfico, mas dificilmente afetará a estrutura de poder no mercado bancário.
Gilmar Mendes volta a pedir pressa no julgamento do mensalão, mas não será atendido..
Carlos Newton
Com impressionante frequência, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, tem defendido que o julgamento do mensalão aconteça ainda neste semestre. Para quem entende mensagens cifradas, isso significa que no STF o processo está sendo mesmo conduzido para um atraso cada vez maior, de forma a propiciar a prescrição dos crimes.
Segundo o ministro, as aposentadorias de Cezar Peluso e Carlos Ayres Britto, no semestre que vem, podem atrapalhar o caso e admitiu que não analisar o tema ainda neste ano pode ser ruim para a imagem da Justiça.
Mendes ressalta, no entanto, que os ministros precisariam limpar a pauta ou suspender as votações de outros assuntos polêmicos. “Este é um assunto complexo, com muitos envolvidos, por isso temos que ter a disposição e organizar algo especial”, afirmou.
Em sua opinião, esse excesso de assuntos importantes pode levar a erros, como o que aconteceu com a decisão que determinou a instalação de comissões mistas para a análise de medidas provisórias. O episódio gerou uma polêmica e repercutiu negativamente no Congresso.
“O que vocês falaram de pane, que pode ter sido uma pane efetiva nossa na questão das medidas provisórias. Quem está submetido a julgamentos dessa relevância pode acabar incorrendo nesse tipo de coisa”, diz ele.
O ministro admite ainda uma pressão enorme dos dois lados no caso do mensalão: aqueles que querem o julgamento rápido e os que não querem. Segundo ele, uma novidade sobre o assunto deve acontecer nos próximos dias. O que será? Boa coisa não é…
### LEWANDOWSKI SE ESTRESSA
O mensalão causa estresse entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), informa a coluna “Mônica Bergamo”, publicada na Folha. Motivo: Luiz Fux sugeriu a Gilmar Mendes e Carlos Ayres Britto que realizassem sessão administrativa para discutir o andamento do caso. Mendes disse que primeiro Ricardo Lewandowski, que revisa o processo, precisaria liberar o relatório.
Lewandowski não gostou. Disse que, se Mendes se metesse em assuntos de seu gabinete, também se meteria em assuntos dele. Mendes respondeu afirmando que até agradeceria, se isso o ajudasse. Mendes disse ainda que continuará falando sobre o mensalão, sim, sempre que entender que isso é necessário.
### AYRES BRITOQUER PRESSA
O novo presidente do Supremo, Ayres Brito, promete julgar antes do primeiro semestre, vejam só, para não atrapalhar a campanha eleitoral. Ou seja, submete a Justiça a circunstâncias externas.
Pode prometer à vontade, mas a questão só entra em pauta quando o relator (Joaquim Barbosa) e o revisor (Lewandowski) quiserem. Na verdade, até as paredes do Supremo sabem que o caso do mensalão será empurrado com a barriga rumo à prescrição, que inclusive já começou. As penas mais leves estão prescritas, os réus cada vez mais tranquilos, conscientes da impunidade.
A desmoralização da Justiça vai aumentar, é claro. Mas quem se importa com isso?